OCORRÊNCIA DE INDICAÇÕES FARMACOLÓGICAS NÃO RECOMENDADAS POR ESTÁGIOS NA ENDOMETRIOSE E IMPACTO NO QUADRO DE ANSIEDADE POR PERSISTÊNCIA DE SINTOMAS
DOI:
https://doi.org/10.25110/arqsaude.v28i1.2024-11051Palavras-chave:
Endometriose, Farmacolterapia, Ansiedade, Qualidade de vidaResumo
Introdução: Endometriose é uma patologia pélvica crônica de caráter inflamatório e estrogênio-dependente. Manifesta-se em quatro tipos de estágio (EI, EII, EIII e EIV), caracterizados pelos números de lesões. Tem indicações farmacológicas recomendadas se baseadas nos estágios, sendo EI/EII sintomático com AINES e/ou uso de anticonceptivos de uso contínuo; e EIII/EIV com fármacos análogos de GnRH. O estilo de vida dessas mulheres é impactado pela dor, que altera a rotina e vida afetivo/sexual contribuindo para quadros de ansiedade. O presente estudo se norteia pela questão “qual impacto na ansiedade de mulheres com endometriose, quando não ocorrem indicações farmacológicas recomendadas para os estágios que se encontra? Logo, o objetivo deste estudo é avaliar os efeitos do tratamento medicamentoso não recomendado e risco de ansiedade. Metodologia: Levantamento de pacientes com diagnóstico de Endometriose, cadastradas no Banco de Dados do Projeto agrupadas em estágios de tratamentos farmacológicos similares (EI/EII e EIII/EIV). O relato de ansiedade, com diagnóstico médico e pós endometriose foi a variável dependente em estudo. As variáveis independentes (ou influenciadoras) foram [1] Estágio da doença, [2] Farmacoterapia recomendada (FR) ou não (FNR) e [3] esquema medicamentoso empregado (classes e combinações). Estatística feitas por chi quadrado e Fischer. Resultados: Do total de 375 mulheres, 274 apresentavam ansiedade. Destas, 170 estavam no grupo IFR; sendo 141 no agrupamento EI/EII, e 29 mulheres no EIII/EIV. No que se refere ao grupo IFNR, teve se um n=104 mulheres, sendo apenas 1 nos EI/EII e 103 nos EIII/EIV. Os casos de FNR estão mais presentes em EIII/EIV, com 90% dos casos (IC 95%, p<0,05). O esquema terapêutico mais presente foi AINEs em monoterapia, sendo 65% (IC 95%, p<0,05) em Estágio inadequado. Notou-se uma correlação positiva entre FNR e quadros de ansiedade, principalmente quando se empregava a monoterapia com AINEs (IC 95%, p<0,05). Conclusão: Dificuldades de acesso a especialistas para diagnóstico e aos medicamentos do EIII/EIV podem ser as causas, que serão investigadas em estudos futuros.
Referências
ADOAMNEI, E.; MÓRAN-SÁNCHEZ, I.; SÁNCHEZ-FERRER, M. L.; MENDIOLA, J.; PRIETO-SÁNCHEZ, M. T.; MOÑINO-GARCÍA, M.; PALOMAR-RODRÍGUEZ, J. A.; TORRES-CANTERO, A. M. (2021). Health-related quality of life in adult spanish women with endometrioma or deep infiltrating endometriosis: A case.control Study. International Journal of Environmental Research and Public Health, 18(11).
AMINI, L. et al. The Effect of Combined Vitamin C and Vitamin e Supplementation on Oxidative Stress Markers in Women with Endometriosis: A Randomized, Triple-Blind Placebo-Controlled Clinical Trial. Pain Research and Management, v. 2021, 2021.
AREDO, J. V. et al. Relating Chronic Pelvic Pain and Endometriosis to Signs of Sensitization and Myofascial Pain and Dysfunction. Seminars in reproductive medicine, v. 35, n. 1, p. 88, 1 jan. 2017.
BONOCHER, C. M. et al. Endometriosis and physical exercises: a systematic review. Reproductive Biology and Endocrinology : RB&E, v. 12, n. 1, p. 4, 6 jan. 2014.
BRASIL. Ministério da Saúde. Gabinete do Ministro. Portaria nº 879, de 12 de julho de 2016 aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Endometriose. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 de julho de 2016. Seção 1, p.53
CAVAGGIONI, G. et al. Are Mood and Anxiety Disorders and Alexithymia Associated with Endometriosis? A Preliminary Study. BioMed Research International, v. 2014, 2014.
DONATTI, L. et al. Pacientes com endometriose que utilizam estratégias positivas de enfrentamento apresentam menos depressão, estresse e dor pélvica. Einstein (São Paulo), v. 15, n. 1, p. 65–70, 2017.
EVANS, S. et al. Psychological and mind-body interventions for endometriosis: A systematic review. Journal of psychosomatic research, v. 124, 1 set. 2019.
FARSHI, N.; HASANPOUR, S.; MIRGHAFOURVAND, M.; ESMAEILPOUR, K. (2020). Effect of self-care counselling on depression and anxiety in women with endometriosis: a randomized controlled trial. BMC Psychiatry, 20(1), 1–12
FISCHER, M. H. Berek & Novak’s Gynecology. JAMA, v. 308, n. 5, p. 516–517, 1 ago. 2012.
FIUZA-LUCES, C. et al. Exercise is the real polypill. Physiology (Bethesda, Md.), v. 28, n. 5, p. 330–358, 1 set. 2013.
FLORENTINO, A. V. D. A.; PEREIRA, A. M. G.; MARTINS, J. A.; LOPES, R. G. C.; ARRUDA, R. M. (2019). Quality of Life Assessment by the Endometriosis Health Profile (EHP-30) Questionnaire Prior to Treatment for Ovarian Endometriosis in Brazilian Women. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetricia, 41(9), 548–554
GHIASI, M.; KULKARNI, M. T.; MISSMER, S. A. Is Endometriosis More Common and More Severe Than It Was 30 Years Ago? Journal of Minimally Invasive Gynecology, v. 27, n. 2, p. 452–461, 1 fev. 2020.
HEMMERT, R. et al. Modifiable Lifestyle Factors and Risk for Incident Endometriosis. Paediatric and perinatal epidemiology, v. 33, n. 1, p. 19, 1 jan. 2019.
HUIJS, E.; NAP, A. The effects of nutrients on symptoms in women with endometriosis: a systematic review. Reproductive BioMedicine Online, v. 41, n. 2, p. 317–328, 1 ago. 2020.
HUNG, S. W. et al. Pharmaceuticals targeting signaling pathways of endometriosis as potential new medical treatment: A review. Medicinal Research Reviews, v. 41, n. 4, p. 2489, 1 jul. 2021
JOHNSON, N. P. et al. World Endometriosis Society consensus on the classification of endometriosis. Human reproduction (Oxford, England), v. 32, n. 2, p. 315–324, 1 fev. 2017.
LAGANÀ, A. S. et al. Analysis of psychopathological comorbidity behind the common symptoms and signs of endometriosis. European journal of obstetrics, gynecology, and reproductive biology, v. 194, p. 30-33, 1 nov. 2015.
LAGANÀ, A. S. et al. Comment on “Risk of developing major depression and anxiety disorders among women with endometriosis: A longitudinal follow-up study.” Journal of affective disorders, v. 208, p. 672-673, 15 jan. 2017.
MIRA, T. A. A. et al. Systematic review and meta-analysis of complementary treatments for women with symptomatic endometriosis. International journal of gynaecology and obstetrics: the official organ of the International Federation of Gynaecology and Obstetrics, v. 143, n. 1, p. 2-9, 1 out. 2018.
NNOAHAM, K. E. et al. Impact of endometriosis on quality of life and work productivity: a multicenter study across ten countries. Fertility and sterility, v. 96, n. 2, p. 366, 2011.
NORMAN, S. A. et al. For whom does it work? Moderators of the effects of written emotional disclosure in a randomized trial among women with chronic pelvic pain. Psychosomatic medicine, v. 66, n. 2, p. 174-183, mar. 2004.
OLIVEIRA, J. G. A.; BONFADA, V.; ZANELLA, J. F. P.; COSER, J. Ultrassonografia transvaginal na endometriose profunda: ensaio iconográfico. Radiol Bras. 2019 Set/ Out;52(5):337–341.
PINTO, L. H. et al. Quadros de ansiedade durante a pandemia: impactos no controle da diabetes mellitus 2 em mulheres jovens com sop e necessidade de revisão no manejo de atuação e inclusão de serviços de psicologia. Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR, v. 27, n. 10, p. 6049-6063, 27 out. 2023
PRESCOTT, J. et al. A prospective cohort study of endometriosis and subsequent risk of infertility. Human reproduction (Oxford, England), v. 31, n. 7, p. 1475–1482, 1 jul. 2016.
RICCI, E. et al. Physical activity and endometriosis risk in women with infertility or pain: Systematic review and meta-analysis. Medicine, v. 95, n. 40, 2016.
RICCI, E. et al. Physical activity and endometriosis risk in women with infertility or pain: Systematic review and meta-analysis. Medicine, v. 95, n. 40, 2016.
SHAFRIR, A. L. et al. Risk for and consequences of endometriosis: A critical epidemiologic review. Best Practice & Research Clinical Obstetrics & Gynaecology, v. 51, p. 1–15, 1 ago. 2018.
SIMOENS, S. et al. Endometriosis cost assessment (the EndoCost study): a cost-of-illness study protocol. Gynecologic and obstetric investigation, v. 71, n. 3, p. 170–176, abr. 2011.
TANBO, T.; FEDORCSAK, P. Endometriosis-associated infertility: aspects of pathophysiological mechanisms and treatment options. Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica, 96(6), 659–667. doi:10.1111/aogs.13082 (2017).
TENNFJORD, M. K.; GABRIELSEN, R.; TELLUM, T. Effect of physical activity and exercise on endometriosis-associated symptoms: a systematic review. BMC Women’s Health, v. 21, n. 1, 1 dez. 2021.
TRINDADE, C. et al. Impacto do tratamento medicamentoso da endometriose nas questões profissionais, sexuais e econômicas das mulheres. Saúde Coletiva (Barueri), v. 11, n. 68, p. 7289-7300, 7 out. 2021.
VAN DER ZANDEN, M. et al. Gynaecologists’ view on diagnostic delay and care performance in endometriosis in the Netherlands. Reproductive BioMedicine Online, v. 37, n. 6, p. 761-768, 1 dez. 2018.
WARREN, M. P.; PERLROTH, N. E. The effects of intense exercise on the female reproductive system. The Journal of endocrinology, v. 170, n. 1, p. 3–11, 2001.
YELA, D. A.; QUAGLIATO, I. D. P.; BENETTI-PINTO, L. C. (2020). Quality of Life in Women with Deep Endometriosis: A Cross-Sectional Study QV de mulheres com endometriose profunda: Estudo de corte transversal. 90–95.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2024 Arquivos de Ciências da Saúde da UNIPAR
Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os Direitos Autorais para artigos publicados são de direito da revista. Em virtude da aparecerem nesta revista de acesso público, os artigos são de uso gratuito, com Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A revista se reserva o direito de efetuar, nos originais, alterações de ordem normativa, ortográfica e gramatical, com vistas a manter o padrão culto da língua e a credibilidade do veículo. Respeitará, no entanto, o estilo de escrever dos autores.
Alterações, correções ou sugestões de ordem conceitual serão encaminhadas aos autores, quando necessário. Nesses casos, os artigos, depois de adequados, deverão ser submetidos a nova apreciação.
As opiniões emitidas pelos autores dos artigos são de sua exclusiva responsabilidade.